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Dr. Henrique Herpich

Glossário

Nexo causal.

Relação de causa e efeito, demonstrada com método, entre o trabalho ou a conduta e o dano à saúde que o processo discute.

Também aparece como: nexo de causalidade · relação de causalidade

Nexo causal é a ligação demonstrável entre um fator (a atividade exercida, uma exposição, uma conduta assistencial) e o dano à saúde que se discute no processo. Ele não sai pronto de nenhum exame: é uma conclusão construída. O método tem etapas reconhecíveis: história ocupacional ou assistencial detalhada, correlação temporal entre exposição e evolução clínica, plausibilidade biológica, o que a literatura reconhece sobre aquela associação e a consideração honesta das causas concorrentes (idade, doença de base, fatores fora do trabalho).

No campo acidentário existe ainda o NTEP, o nexo técnico epidemiológico do art. 21-A da Lei 8.213/91: quando a doença registrada é estatisticamente associada à atividade econômica da empresa, a natureza acidentária se presume. A presunção é relativa e admite prova em contrário; no processo, funciona como ponto de partida qualificado, nunca como veredito.

Por que importa no processo

Porque o nexo é, na maior parte das lides de saúde, o ponto em que o caso se decide. Dano e diagnóstico costumam estar documentados; o que se disputa é a origem. Sem nexo demonstrado, a incapacidade fica sem vínculo com o réu e o pedido perde a base técnica; com nexo afirmado sem método, o laudo fica exposto a impugnação fundamentada. É também o terreno em que os quesitos mais trabalham: obrigar o perito a declarar quais critérios usou, que causas concorrentes considerou e por que as afastou vale mais do que dezenas de perguntas genéricas.

Quando o fator investigado contribuiu sem ser causa única, a análise muda de figura e vira nexo concausal, que tem verbete próprio.

O erro frequente

Confundir sequência com causa. “Adoeceu durante o contrato de trabalho” descreve coincidência temporal, e coincidência temporal é um dos critérios, nunca o único: sem plausibilidade biológica e sem exposição compatível, a cronologia sozinha não sustenta conclusão. O erro simétrico é exigir certeza absoluta onde o padrão técnico é a probabilidade fundamentada: a medicina pericial trabalha com o que os documentos, o exame e a literatura permitem afirmar, e um laudo honesto declara o grau de segurança da própria conclusão em vez de escondê-lo.

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